
Em 2020, a família Rigoni colheu as primeiras uvas da propriedade em Polo Alto, distrito de São Rafael, em Linhares. Naquele mesmo ano, abriu as portas para quem quisesse participar da colheita. A ideia era simples: cobrar R$ 10 pela entrada e deixar o visitante colher a própria uva direto do parreral, levando para casa o que colheu no formato colhe e pague.
Seis anos depois, a abertura da colheita se tornou um evento que se repete a cada safra e que representa um modelo que cresce em todo o Espírito Santo.
A vitivinicultura capixaba está presente em 29 municípios, segundo dados da Seag de 2024, com 2.720 toneladas de uvas colhidas e Valor da Produção de R$ 22,3 milhões. Santa Teresa lidera com quase um terço da produção estadual, 862 toneladas.
Mas o que chama atenção no setor não é apenas a produção em si. É o movimento que está crescendo ao redor dela: o turismo de experiência que transforma a propriedade rural num destino.
A lógica do modelo das Uvas Rigoni com entrada acessível, experiência imersiva, produto levado para casa, é a mesma que sustenta o conceito de agroturismo no estado.
O visitante não vai apenas comprar uva. Vai colher, provar vinho e suco artesanal, conhecer o processo e criar memória. Para o produtor, esse modelo diversifica a renda, agrega valor ao produto na propriedade e cria um canal direto com o consumidor final sem intermediário, sem atacadista, sem dependência de preço de mercado.
A viticultura capixaba tem perfil predominantemente familiar e está associada a regiões serranas com altitude e clima favoráveis. Os principais cultivares plantados pelos produtores capixabas são Niagara Rosada, Izabel Precoce, Carmem, Vitória e Bordô, utilizadas tanto para consumo in natura quanto para fabricação de vinhos, sucos, espumantes e geleias. 
O movimento de valorização da vitivinicultura capixaba ganhou estrutura institucional em 2025, quando o Incaper lançou o zoneamento estadual para cultivo de uvas, estudo inédito que identifica as regiões ideais para a produção, especialmente entre Pedra Azul, Domingos Martins e o Caparaó.
O Sebrae/ES lançou também o Projeto Vines, voltado a fortalecer a produção de uvas e vinhos finos capixabas e impulsionar o enoturismo no estado. O ES começa a construir uma identidade vitivinícola própria e o turismo de experiência é parte central dessa construção.
Para o produtor rural capixaba que ainda vê a propriedade apenas como unidade de produção, o modelo das Uvas Rigoni entrega um argumento concreto: o visitante que paga R$ 10 para entrar, colhe uva, prova o vinho da casa e leva produto para casa não é apenas um cliente. É um canal de comercialização com margem superior à venda no atacado, um embaixador da marca e um frequentador fiel que volta na próxima safra. É o agro que não espera o preço de mercado, é o agro que cria o próprio mercado.
FONTE: Folha Vitória











