Com óculos de realidade virtual, o caminhoneiro Edésio Lovatti, 59 anos, pedalou pelas ruas de Las Vegas, nos Estados Unidos, mesmo sem nunca ter saído do país. Ele é paciente da UTI do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória e está usando a gameterapia para auxiliar no tratamento da doença de Chagas, que o levou à internação.
Mesmo dentro de um quarto de hospital, a ferramenta digital oferece uma imersão dos pacientes para fora das paredes da unidade e é mais uma técnica que vem sendo utilizada, de forma gratuita, pela equipe médica na recuperação de pacientes.
“Como eu sou caminhoneiro, pude voltar a ver de novo os lugares que eu já conheci, fazendo ginástica sem perceber o tempo passar”, contou Edésio durante uma sessão, no qual também pode pedalar por paisagens de São Paulo, mas sem sair do hospital.
A gameterapia e a realidade virtual começaram a ser usadas por profissionais da Santa Casa desde 2023. Desde então, 24 pacientes já foram atendidos pela ferramenta, que auxilia no cuidado físico e emocional das pessoas internadas, para aumentar as chances e velocidades de recuperação.
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Caminhoneiro Edésio Lovatti, 59 anos, simulou pedalada com gameterapia sob orientação do fisioterapeuta Richardson Camilo no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Espírito Santo — Foto: Arquivo Pessoal
Durante as sessões, são utilizados videogames com kinect (sensor de movimento) e também óculos de realidade virtual (VR) no processo da terapia intensiva.
Na terapia, o hospital cria um ambiente divertido e dinâmico, deixando os pacientes mais confortáveis e alegres, o que diminui a tensão do tratamento. E foi isso que aconteceu com Edésio. Ele afirmou que sentiu uma mudança no corpo e no astral graças a essas ferramentas.
“Estava com astral baixo e elas (as sessões) me ajudaram a sair do tédio. Foram 40 minutos de pedalada, mas que pareceram ser dez, porque quando você se diverte o tempo corre. Eu também estava atrofiando e depois que fiz consegui me movimentar melhor”, relatou Edésio.
Como funciona o projeto
Logo no início da assistência, o paciente passa por uma triagem para entender qual é o seu grau de funcionalidade, se possui alguma dificuldade para realizar a técnica ou se tem alguma contraindicação.
O tempo de realização das técnicas varia de acordo com a situação do paciente, podendo durar de 10 a 40 minutos. As tecnologias são adaptadas individualmente, levando em conta o quadro clínico de cada pessoa.
Tudo é verificado de perto e efetuado pela equipe multidisciplinar da unidade de terapia intensiva. Eles trazem a opção dessas tecnologias para desenvolver alguns movimentos e fortalecer os músculos, assim como reduzir o estresse, a ansiedade, dor e depressão.
O gestor da equipe de Fisioterapia do hospital e especialista em terapia intensiva Richardson Morais Camilo relata que a partir da utilização dessa técnica os pacientes se mostraram mais participativos e motivados com tratamento. Eles também apresentaram recuperação mais rápida e eficaz de funções motoras e cognitivas.
“Os pacientes se beneficiam da imersão e da gameterapia por meio de uma abordagem que alia estimulação motora, cognitiva e emocional. Essas ferramentas permitem maior motivação e engajamento, promovendo uma recuperação mais eficaz e humanizada”, disse Richardson.
As tecnologias vieram como uma ferramenta promissora, com a proposta de unir o tratamento de terapia intensiva convencional com diversão, além de estimular e motivar os pacientes a realizarem as sessões de Fisioterapia.
“A gameterapia dá oportunidade de o paciente voltar para seu convívio social com as suas condições funcionais desenvolvidas, para ter mais independência no seu retorno ao dia a dia”, afirmou o fisioterapeuta.
No Espírito Santo, além do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, o hospital Evangélico de Vila Velha realiza esse tipo de terapia desde 2022. Nas duas unidades, a gameterapia é feita de forma gratuita. O g1 consultou algumas clínicas particulares e constatou que esse serviço é oferecido por R$ 250, em média, cada sessão.
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Caminhoneiro Edésio Lovatti, 59 anos, simulou pedalada com gameterapia sob orientação do fisioterapeuta Richardson Camilo no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Espírito Santo — Foto: Arquivo Pessoal
Apesar dos benefícios comprovados, Richardson ressaltou que ainda são poucas as políticas públicas voltadas para a compra dos materiais para realizar esse tipo de tratamento, para qualificação de profissionais aptos e para a criação de ambientes adequados dentro dos hospitais.
Fonte: G1 Espirito Santo












