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Ave Atobá na Baía de Vitória (ES) — Foto: Vitor Jubini/Rede Gazeta
A Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) reforçou as orientações de cuidados sanitários para evitar a propagação da gripe aviária entre os animais e também possíveis casos entre humanos no estado. Nesta quinta-feira (18), mais quatro aves foram mortas no estado sob suspeita da doença. No dia anterior, 26 aves de diferentes espécies também chegaram a ser sacrificadas após três pássaros silvestres terem sido positivados para o H5N1.
Ainda nesta quarta, o Ministério da Saúde também confirmou o primeiro caso suspeito no Brasil da doença em humano. Trata-se de um homem de 61 anos, funcionário de um parque municipal de Vitória onde foi encontrada uma das três aves contaminadas.
O paciente apresenta sintomas gripais leves e, conforme protocolo de vigilância sanitária, está em isolamento e monitorado por equipes de saúde do município. Outras 32 pessoas tiveram amostras de contato coletadas para análise após possível exposição a uma ave doente.
O alerta para a doença no Brasil começou na segunda-feira (15), quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a contaminação de três de aves marinhas pelo vírus influenza aviária, o H5N1, no litoral capixaba.
Medidas sanitárias reforçadas
Por causa desses últimos fatos, a Sesa recomendou que algumas medidas no dia a dia devem ser intensificadas, como evitar locais fechados e aglomerados, que os espaços sejam bem ventilados e que as pessoas reforcem a higiene das mãos, por exemplo.
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Aves silvestres da espécie Thalasseus acuflavidus — Foto: Cláudio Dias Timm
A orientação é ainda maior para aqueles que tiveram contato com as aves doentes ou diagnosticadas com a gripe aviária (vírus H5N1). Mas como saber se uma ave está doente?
Os sintomas de gripe aviária em aves infectadas são corrimento e inchaço ocular; dificuldade para respirar; letargia; incapacidade de se levantar ou andar; e tremores. Se a ave estiver fraca, é provável que ela seja vista “capotando” nas ondas, sendo jogada contra as pedras ou em repouso na areia da praia, sem esboçar reação com a aproximação das pessoas.
Portanto, a recomendação é não se aproximar ou tocar nas aves. Nesse caso, é preciso acionar a Vigilância Sanitária, órgãos de meio ambiente ou até o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).
Casos as pessoas tenham algum contato com aves contaminadas, elas devem ser monitoradas se apresentarem sintomas gripais pelo período de dez dias a partir do contato com o animal contaminado ou com suspeita de contaminação.
Outra recomendação da Sesa é que a população evite estritamente o contato com aves mortas, incluindo aves silvestres.
Em relação à gripe aviária, a Sesa pediu ainda:
- Ao avistar aves doentes acione o serviço veterinário local ou realizar a notificação por meio do Sisbravet (clique aqui);
- Evite o contato próximo e desprotegido com pessoas que apresentem sintomas gripais;
- Mantenha os ambientes bem ventilados com porta e janelas abertas;
- Evite aglomerações em ambientes fechados;
- Pratique higiene das mãos e ter etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar;
- Caso precise manipular a ave, use máscara de proteção e luvas, acondicione em uma caixa e comunique ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) (clique aqui)
Monitoramento de casos suspeitos
Na tarde desta quarta-feira (17), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que equipes da Vigilância em Saúde, juntamente com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), realizaram investigação de campo em Vitória, Cariacica e Marataízes (locais onde foram encontradas as três aves contaminadas) para identificar pessoas que tiveram contato com esses animais. A ação foi iniciada na terça-feira (16), um dia após a identificação do primeiro caso de gripe aviária no Espírito Santo.
De acordo com a Sesa, durante a investigação foram identificados 33 possíveis expostos no Parque Fazendinha, em Jardim Camburi, Vitória, sendo que um deles apresenta sintomas gripais leves e está em isolamento, sendo monitorado pelo município.
O parque é o local onde uma das aves foi encontrada caída no chão. O local foi fechado e está com visitas suspensas desde o dia 16 de maio.
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Refúgio da Vida Silvestre da Mata Paludosa (antigo Parque da Fazendinha), em Vitória, onde uma ave contaminada foi encontrada — Foto: Paulo Ricardo Sobral/TV Gazeta
Ainda de acordo com a pasta, na manhã desta quarta, o município de Vitória realizou a coleta de 33 amostras de contatos e enviou ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES), que, após a conferência do material, enviará para análise na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (18).
A Fiocruz é o laboratório de referência para área de abrangência nacional que engloba o Lacen-ES, uma vez que as amostras deverão ser manipuladas em áreas de biossegurança NB-3.
De acordo com a Sesa, ainda não há informação sobre o prazo para divulgação dos resultados dessas análises.
Produtores também reforçam medidas sanitárias
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as três aves infectadas não fazem parte do sistema industrial brasileiro, ou seja, os casos não afetam aves e ovos disponíveis nos supermercados e a seguridade alimentar da população. Ou seja, esses produtores ainda não foram afetados e a produção segue normalmente.
Apesar disso, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves) informou que está reforçando as medidas sanitárias e orientações aos produtores de aves do estado a fim de evitar qualquer possível contaminação.
Entre as medidas estão:
- Intensificar as medidas de biosseguridade na área de produção;
- Proibir terminantemente qualquer tipo de visita às unidades de produção;
- Evitar visitas em locais com aves silvestres;
- Ausência de outras aves na propriedade;
- Conferir cercamento de núcleo e telamento de galpão;
- Manter o portão de acesso da propriedade fechado;
- Desinfecção de veículos em pleno funcionamento;
- Desinfecção de materiais que acessem a granja;
- Uso de roupas e calçados exclusivos no acesso à granja;
- Pedilúvio no acesso aos núcleos e aos galpões (solução desinfetante num recipiente);
- Cuidados com a ração;
- Cuidados com a água (fonte de qualidade, tratamento, reservatórios íntegros e cobertos);
- Controle de pragas;
- Restringir criação de aves pelos funcionários.
Primeiro caso de gripe aviária no país
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou dois casos de aves marinhas contaminadas pelo vírus da influenza aviária, o H5N1, na tarde de segunda-feira (15). No fim do mesmo dia, o governo informou um terceiro caso.
Dois animais são da espécie Thalasseus acuflavidus, conhecida Trinta-réis-bando, e foram resgatados no litoral do Espírito Santo.
No momento do resgate, uma das aves estava localizada no município de Marataízes, Litoral Sul, e outra no bairro Jardim Camburi, em Vitória.
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Aves silvestres da espécie Thalasseus acuflavidus. — Foto: Cláudio Dias Timm
O terceiro é uma ave migratória da espécie Sula leucogaster (atobá-pardo), que estava no Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos de Cariacica (Ipram), desde janeiro.
Os dois casos não afetam a condição do Brasil como país livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicida (IAAP) e os demais países membros da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) não devem impor proibições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros.
É a primeira vez que o Brasil apresenta casos de gripe aviária.
Os animais infectados não fazem parte do sistema industrial brasileiro, ou seja, os casos não afetam aves e ovos disponíveis nos supermercados e a seguridade alimentar da população, aponta a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Fonte: G1 ES












