O monitoramento de um papagaio ameaçado de extinção acabou revelando outra raridade escondida da Mata Atlântica, no Espírito Santo. Enquanto acompanhavam o comportamento do chauá, na cidade de Linhares, pesquisadores identificaram novas populações de um ipê-amarelo que corre sério risco de extinção.
A descoberta, feita durante o acompanhamento de 34 indivíduos do chauá, foi publicada nesta segunda-feira (10) na revista internacional “Oryx – The International Journal of Conservation”.
Segundo os autores, o trabalho mostra como a observação de uma espécie pode abrir caminho para conhecer melhor outras, especialmente em áreas que seguem sob forte impacto ambiental desde o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana (MG), em 2015.
As aves eram monitoradas numa área de floresta na região do Rio Doce.
Papagaios levaram pesquisadores até árvores raras
Os cientistas perceberam que os papagaios pousavam e se alimentavam em árvores floridas de um tipo de ipê-amarelo raro na região. Curiosos com o comportamento, passaram a registrar a localização dessas árvores e confirmaram que se tratava de uma espécie listada como ameaçada no Espírito Santo e em outros estados.
No total, foram mapeados oito ipês, todos em plena floração. Cinco estavam em fragmentos de floresta e três em áreas abertas, como pastagens e plantações de cacau. Essa espécie específica está classificada como risco crítico de extinção.
Com até 35 metros de altura e copas repletas de flores amarelas, as árvores se destacavam na paisagem e funcionavam como importantes fontes de alimento para diferentes espécies de aves.
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Ipê-amarelo encontrado no ES está ameaçado de extinção — Foto: Divulgação INMA
“Essa descoberta mostra como as espécies estão interligadas. Proteger o chauá também significa proteger o ipê e todo o ecossistema ao redor”, explicou o biólogo Ricardo da Silva Ribeiro, especialista em ipês e um dos autores do estudo.
Ipê difícil de encontrar
Pesquisadores já buscavam novas populações da árvore há anos, mas sem sucesso. Segundo os pesquisadores, sem flores, o ipê-amarelo acaba se confundindo com outras espécies de ipê mais comuns.
“Nós estamos realizando iniciativas para localizar novas populações na região há alguns anos. Sem as flores, é difícil distingui-lo. Somente agora, integrando o trabalho com outros especialistas, é que conseguimos localizar essas populações ao Sul do município”, afirmou Ribeiro.
Segundo ele, as informações serão usadas em planos regionais de conservação.
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Pesquisadores encontram espécie rara de ipê enquanto monitoravam papagaios no ES — Foto: Divulgação INMA
Fonte: G1 ES












