
O agro acabou se transformando em um verdadeiro oásis diante do baixo crescimento pelo qual passa a economia brasileira no geral. Essa condição privilegiada foi alcançada sobretudo por avanços na produção e incorporação de tecnologias, e acelerado processo de inovação, cuja consequência mais imediata é refletida na produtividade. Não é sem razão que o setor é referência mundial nesses quesitos, e vem se tornando grande provedor de alimentos para o mundo.
No Espírito Santo não tem sido diferente. Naturalmente, observadas as suas especificidades. A agropecuária capixaba, considerando o valor agregado dentro da porteira, isto é, dentro das propriedades, teve sua participação quase dobrada entre 2002 e 2023: de 3,5% para 6%. Ou seja, crescem bem mais do que o PIB total: 1.093% ante 675% em termos nominais, e 142% ante 58% em termos reais em valores deflacionados pelo DIP – Deflator Implícito do Produto.
Nessa caminhada algumas cadeias produtivas se destacaram. Dentre estas a do café. Melhor dizendo, dos cafés, pois temos o arábica, em menor escala (23% da produção) e o carro chefe conilon. Ambos apresentam crescimento em produção, mas principalmente em produtividade. Um bom diferencial.
No caso do arábica, enquanto a média mundial chega a apenas 14 sacas por hectare, com a colômbia com 16 sacas, no Espírito Santo atingiu 32 sacas. Já no conilon a produtividade média capixaba é o dobro da média mundial: 55 sacas ante 25. O maior concorrente, o Vietnã chega a 55 sacas.
Mas a questão a ser realçada é que na perspectiva da cadeia de valor os cafés capixabas também apresentam avanços significativos em toda a sua extensão: antes da porteira, dentro e depois. Antes da porteira, principalmente em campos como pesquisa aplicada, insumos e serviços especializados de apoio, com agentes mais bem qualificados. Dentro da porteira, com inovações, novas tecnologias, inclusive em tecnologias digitais, mais eficiência no manejo e em gestão.
Depois da porteira, vale registrar o papel das cooperativas, com destaque para a Cooabriel e Nater Coop, que garantem escala no apoio e conexões com mercados. Na comercialização observa-se uma maior aproximação e conectividade com produtores.
Mas, está na agroindústria o grande salto, com novas plantas de produção de café solúvel. Movimento que se dá também com o arábica com a intensificação do processo de “descomoditização”, com a proliferação de mini torrefadoras e marcas.
Denomina-se esse movimento como de adensamento e diversificação de cadeias produtivas. Que é quando elos considerados faltantes são progressivamente preenchidos e passam a gerar nova riqueza, novo valor adicionado e mais complexidade econômica.
Essa é a fórmula para se avançar ainda mais no agronegócio capixaba. Fórmula preconizada como estratégia do PEDEAG 4 – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura.
Fonte: Folha Vitória












