
O Espírito Santo movimentou 137,5 milhões de toneladas em seus portos em 2025, o equivalente a 9,8% de tudo o que passou pelos terminais brasileiros no ano. O dado é do Atlas Portuário do ES, publicação lançada pelo Observatório Findes, que reúne um diagnóstico da infraestrutura, da capacidade, dos gargalos e das oportunidades do sistema portuário capixaba.
O volume coloca o estado na quarta posição nacional, atrás apenas de Rio de Janeiro (326,9 milhões de toneladas), São Paulo (235,4 milhões) e Maranhão (223,7 milhões). Os números têm base em dados da Antaq.

A posição de destaque do Espírito Santo se deve principalmente aos terminais privados. Cerca de 94% do volume capixaba passou por Terminais de Uso Privado (TUPs), patamar muito acima da média nacional, de 64%.
Essa estrutura é herança dos “Grandes Projetos” instalados no estado a partir da segunda metade do século XX. As grandes plantas de commodities minerais e agrícolas construíram seus próprios terminais: a Suzano com o Portocel, a ArcelorMittal com o Terminal de Produtos Siderúrgicos, a Vale com o Porto de Tubarão e a Samarco com o Porto de Ubu.
O Tubarão, da Vale, é o terceiro maior terminal do Brasil isoladamente, com 87,4 milhões de toneladas movimentadas, ou 6,2% do total nacional. Fica atrás apenas de Ponta da Madeira (MA), da própria Vale, e do porto de Santos.

A pauta capixaba é puxada pelo minério de ferro, que respondeu por 97,5 milhões de toneladas e colocou o estado na terceira posição nacional nesse item. Mas o destaque competitivo está nas cargas em que o Espírito Santo lidera o ranking do país: carvão mineral (9,3 milhões de toneladas), ferro e aço (7,9 milhões) e mármore e granito (0,9 milhão). O estado é o principal ponto de entrada de carvão mineral do Brasil e o maior exportador de rochas naturais.
Em pasta de celulose, o estado aparece na segunda colocação nacional, com 7,3 milhões de toneladas escoadas. Outras cargas relevantes incluem soja (4,1 milhões de toneladas, décima posição nacional), contêineres (2,7 milhões) e fertilizantes (1,9 milhão).
Boa parte dessa movimentação não tem origem nem destino no Espírito Santo. Cerca de 67% do volume teve início ou destino em outros estados, com peso de Minas Gerais, Bahia e Goiás. O estado funciona, na prática, como porta de saída para a produção do interior do país.
Essa função depende da integração com a malha ferroviária. A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), operada pela Vale, conecta-se à Ferrovia Centro-Atlântica e à malha da MRS, ligando o estado a Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Bahia. Em 2025, segundo a ANTT, 96,5 milhões de toneladas tiveram destino capixaba por ferrovia, o terceiro maior volume do país nesse modal.
Quase tudo desembarcou em Tubarão: 93,5 milhões de toneladas, ou 96,9% do total. O minério de ferro dominou a carga ferroviária, com 88,9 milhões de toneladas (92,1%), seguido por soja (1,9 milhão) e celulose (1,6 milhão). A origem é praticamente toda mineira: 99,6%.
Para além dos terminais privados, o Porto de Vitória, considerado um porto organizado sob concessão da VPorts, é hoje a única infraestrutura portuária multipropósito do estado. Por ali saem as rochas naturais e entram os veículos importados, segmento em que o Espírito Santo também ocupa a primeira posição no ranking nacional.
Fonte: Folha Vitòria









