A Inteligência Artificial é uma das tendências no mundo da tecnologia e possibilidades já estão sendo pensadas para que a IA possa ser utilizada também no campo, para ajudar os agricultores. Mas alguns especialistas da área apontam que os produtores precisam se modernizar e criar mais dados para que as ferramentas tecnológicas possam ser utilizadas da melhor forma.
A ideia, defendem especialistas, é que os produtores usem cada vez mais equipamentos conectados em todas as fases produtivas. Assim, a IA vai sendo “alimentada” com informações. A partir daí, a tecnologia passa a ter um banco de dados, que é usado para “pensar” e propor quais são as melhores técnicas e alternativas para a produção.
“A Inteligência Artificial é aquela capacidade que a máquina tem de simular o raciocínio humano. Precisa ensinar a máquina determinados padrões, e a partir do que ela aprende, ela consegue sozinha associar, classificar, identificar ou até mesmo prever um determinado resultado”, explicou o professor de Engenharia Rural da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Samuel de Assis Silva.
O tema IA e como aplicá-la no campo foi um dos assuntos tratados durante uma série de palestras no evento Tecnoagro 2024, realizado na Serra, Grande Vitória.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/T/l/OouBmERFu5o3MZq700dQ/jcampo-bloco-03-01-09-2024-.mp4-snapshot-02.16.369.jpg)
Especialistas acreditam que produtores do Espírito Santo precisam modernizar lavouras para criar mais dados para a Inteligência Artificial — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Para o gerente de inovação aberta da Bayer, André Koji Fukugauti, a IA pode ser um pilar de mudança de pensamento crítico para a sociedade sobre o agronegócio. Além disso, essa ferramenta pode ajudar na democratização da tecnologia e adaptação de equipamentos para maior produtividade nas culturas.
“Com a IA a gente tem pilares que são voltados para aumentar em 50% a produtividade de alimentos, democratizar a tecnologia para que mais produtores tenham acesso a ela e também para a recuperação de um ambiente de produção”, destacou André.
Desafios
Mas para poder utilizar a IA da forma correta, algumas barreiras precisam ser quebradas. O CEO de uma startup desse ramo de negócio, Carlos Ribeiro, destacou que uma delas é a necessidade da criação de dados.
“Com certeza uma das maiores dificuldades é a disponibilidade de dados. Hoje, já existem muitos dados, mas esse dado tem que vir de uma forma com alta qualidade. Então, o produtor precisa se digitalizar, colocar sensores no campo, ter todos os processos muito bem mapeados. Uma vez que ele mapeou esse processo, isso gera um banco de dados e esse banco de dados vai fazer o treinamento da inteligência artificial. Todos os lugares onde a gente tem feito esse processo de inteligência, os produtores já estão há muitos anos com essa qualidade de trazer os dados de uma forma muito bem feita e com histórico”, relatou Carlos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/2/h/yQ9GpDQ0i9Q3A9bRNQyw/jcampo-bloco-03-01-09-2024-.mp4-snapshot-02.15.068.jpg)
Produtores no Espírito Santo precisam colocar sensores nos campos para poder gerar mais dados para a utilização da Inteligência Artificial — Foto: Reprodução/TV Gazeta
O CEO apontou que com a tecnologia está chegando cada vez mais forte no campo e com menos custo para o produtor, o que acaba estimulando os agricultores a buscarem a inovação de forma mais rápida.
“Com menos custo, vai ser muito fácil para ele coletar esses dados. Então, os próximos anos eu acho que a gente vai viver uma era de digitalização muito importante. Mais dados, com mais qualidade, e isso vai permitir que a inteligência artificial seja aplicada de forma mais prática para o dia a dia dele”, contou.
Alguns produtos
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/B/H/YuW8jmRW2e3fbj1sfi8Q/jcampo-bloco-03-01-09-2024-.mp4-snapshot-02.12.295.jpg)
Especialistas no Espírito Santo discutem como Inteligência Artificial pode ajudar a coletar dados e ajudar no campo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Enquanto isso, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) já produziu alguns protótipos relacionados a IA no campo. O professor de engenharia rural destacou que alguns já estão praticamente fechados e outros em fase final de entrega. São eles:
- Provador eletrônico: O agricultor vai na lavoura, colhe alguns grãos de café cereja, tira uma imagem dele. Aí, uma inteligência artificial processa e estima qual é a qualidade sensorial. É um produto com IA desenvolvida, que no momento possui um protótipo feito em madeira
- Classificação de plantas daninhas e a separação: As plantas são separadas em folha larga e folha estreita. Isso ajuda na tomada de decisão para o tipo de herbicida, onde o agricultor vai fazer a aplicação e qual a dose vai ser utilizada. Também traz a possibilidade para identificar qual é a espécie que está ali. É um aplicativo para computador em fase final para receber um layout para ser disponibilizado ou comercializado.
- Patenteamento de segmento de banda espectral para tentar identificar ferrugem, cancro nos ramos e broca: A ideia é entregar uma ferramenta para sobrevoar a plantação com um drone e depois receber a informação de quais são as plantas identificadas. A partir daí, o produtor escolhe se vai erradicá-las ou remanejá-las, de acordo com a especificidade de cada problema que ele está enfrentando naquele momento.
Fonte: G1 Espirito Santo












