
Os veículos saem carregados de cidades onde ficam algumas das maiores pedreiras do Estado, na região Noroeste: Barra de São Francisco, Nova Venécia e São Domingos do Norte. Para escoarem o produto, precisam chegar à região Metropolitana de Vitória pela BR-259 e BR-101.
O que tem sido observado é que, quando os veículos chegam pela BR-259 a Colatina, preferem pegar um desvio de 75 km pela ES-248, passando por dentro do Centro de Linhares, pra então chegar à BR-101 e seguir para a capital. É que pelo caminho mais curto, precisariam passar por uma balança de fiscalização.
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Carretas passam pela balança móvel do DNIT no km 14 da BR-259, em João Neiva — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Além disso, o peso a mais sobre as ruas do Centro de Linhares já virou motivo de reclamação para moradores. Apesar de não interferir significativamente no trânsito, rachaduras têm aparecido nas casas depois que o trânsito de veículos pesados começou.
A dona de casa Maura Felícia relata que, além dos problemas na estrutura da residência dela, a poeira causada pelos caminhões também incomoda bastante.
“Sem contar o pó, que é um pó de minério, um pó de asfalto, uma coisa horrível. Meus muros estão todos arrebentados e minha piscina está toda trincada depois que começou esse peso de carreta. E são muitas carretas”, protestou.
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Moradora diz que rachaduras têm sido causadas por carretas — Foto: Reprodução/TV Gazeta
O caso é tão sério que, segundo a prefeitura, em apenas três noites de monitoramento realizado no Centro de Linhares, 33 carretas bitrem que transportavam rochas passaram pela cidade entre 22h e 4h da manhã.
“Isso tem afetado as casas e os moradores estão reclamando bastante. São rachaduras, tremedeiras e barulho também, depois de meia-noite até 4 horas da manhã é assim”, disse o presidente da Associação de Moradores do Centro de Linhares, Miguel Pagotto Giestas.
A Prefeitura de Linhares garante que já enviou um ofício ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) cobrando providências sobre o trajeto ilegal traçado pelos caminhoneiros.
O secretário de Segurança Pública do município, Jones Mattos, falou que os problemas causados pelo peso dos caminhões não param por aí: a situação da estrutura da ponte que passa sobre o Rio Pequeno também preocupa.
“Não só dessa, mas de outras pontes. Daqui a pouco vamos ter um problema mais sério, até para produtores rurais que transportam suas mercadorias, precisam de passar por aqui, daqui a pouco você tem uma ponte dessa danificada e olha o prejuízo grande. Por isso temos insistido com o DER para que se tome uma providência.”
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Pontes de Linhares podem correr riscos — Foto: Reprodução/TV Gazeta
DER-ES promete placas
O DER-ES informou que iniciou o processo de fabricação das placas com indicação de peso máximo nas rodovias ES-248 (que corta o Centro de Linhares) e ES-245. Segundo o órgão, as placas já estão em fase de finalização e serão colocadas no trecho para sinalizar para os caminhoneiros.
Sobre a fiscalização feito no Centro de Linhares, o DER-ES declarou que, por se tratar de uma estrada estadual, o trabalho ficará pode conta da Polícia Militar que atua na região.
Fiscalização: ‘briga de gato e rato’
A reportagem acompanhou, durante a madrugada desta terça-feira (16), como é feita a fiscalização nas rodovias desde que os veículos saem das pedreiras.
Na balança de fiscalização no km 14 da BR-259 em João Neiva – a que normalmente é desviada pelos caminhoneiros – acontece uma das irregularidades: nem todos são pesados.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a balança móvel funciona todos os dias da semana e durante 24 horas. Contudo, fiscais disseram que apenas dois caminhões são pesados por vez.
Sendo assim, como o trânsito não pode parar, caminhões que chegam no local no momento da pesagem de outros veículos são liberados a passar pelo trecho sem sequer terem suas cargas fiscalizadas.
Sobre a fiscalização de maneira geral nas rodovias federais, a PRF informou que faz sua parte, mas acaba esbarrando, muitas vezes, na falta de balanças nos postos e também na falta de equipe.
“Existe uma briga de gato e rato entre os agentes de fiscalização e todos esses atores. Seja o DNIT, seja a ANTT, seja a PRF, seja o Ministério do Trabalho, seja o DNPN, que regulamenta a extração desse tipo de rocha, alguns dos empresários usam esses subterfúgios para burlar a fiscalização e auferir lucro”, disse o chefe da Delegacia da PRF em Linhares, Eduardo Costa Negro.
O caminhoneiro Edson Bezerra Lima, que parou na balança da BR-259 para fazer a pesagem e foi constatado o excesso de peso no veículo, informou que não acha justa a forma como os fiscais realizam a pesagem da carreta.
“Aqui, sempre que a gente vem, dá excesso de peso entre os eixos. Nós estamos com o peso certo no caminhão, mas entre os eixo não tem jeito. Você chega aqui e dá excesso. Não é o peso a mais. É o entre eixo só, a posição de botar o bloco na carroceria, aí nunca se acerta. Acho errada essa fiscalização. Deveria não ter entre eixo. Você chegou aqui, coloca o peso bruto do caminhão e libera o caminhão. Agora toda vez dá peso entre os eixos”, se defendeu.
Mas se alguns motoristas reclamam de como a fiscalização é feita e se manifestam, outros preferem não comentar a gravidade da infração que cometem. Enquanto a equipe de reportagem estava no posto da PRF em Linhares, na BR-101, uma carreta foi flagrada transportando carga acima do permitido por lei. Na ocasião, o volume de carga a mais chegava a 23 toneladas.
Como no posto não há balança, foi necessário escoltar o veículo até o medidor que fica no bairro Canivete. No local, foi constatado o excesso.
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Agentes da PRF fazem fiscalizações em carretas — Foto: Reprodução/TV Gazeta
“Isso é um problema muito sério e na medida do possível a PRF intensifica a fiscalização em alguns momentos da madrugada com o fim de autuar e aplicar a lei quando existe algum tipo de irregularidade”, alertou o chefe da Delegacia da PRF em Linhares, Eduardo Costa Negro.
Outro problema que exige fiscalização é que a lei da jornada de trabalho de caminhoneiros não vem sendo cumprida à risca pelos condutores. Muitos deles não respeitam o limite de descanso necessário.
“Alguns motoristas não respeitam o período mínimo de descanso, que é de 11 horas em um prazo ininterrupto de 24 horas. Dessas 11 horas, 8 horas precisam ser de forma corrida, sem nenhuma interrupção. Muitos motoristas não respeitam isso para atender o capital, o lucro”, concluiu Eduardo Costa Negro.
Conscientização
De acordo com o Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas), o Estado é o maior exportador do país de rochas ornamentais.
Sobre as irregularidades cometidas por caminhoneiros para fugir da balança, o Sindirochas declarou que apoia a fiscalização dos órgãos. Informou ainda que vem trabalhando com ações educativas para conscientizar os motoristas sobre as leis, que devem ser cumpridas com rigor.












