
*Artigo escrito por José Mauro Rocha de Barros, escritor, empreendedor, conselheiro consultivo, diretor regional – ABMEN/ES, Partner Brazil UPenn, membro do Comitê IBEF Agro e do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão do IBEF-ES.
O agronegócio brasileiro não é coadjuvante da economia. É o protagonista, e os números cansaram de pedir licença para provar isso.
Nos últimos 40 anos, a produtividade agrícola cresceu 379%, ultrapassando a industrial. Sementes transgênicas, agricultura de precisão e gestão orientada a dados explicam esse salto. Não foi sorte climática.
No Espírito Santo, a confirmação é concreta: o valor bruto da produção (VBP) atingiu R$ 31,2 bilhões em 2024, ante R$ 22,8 bilhões em 2023. O café e a pimenta-do-reino puxaram esse movimento.
Os produtores que monitoram indicadores de desempenho chegam a 45.998 kg/ha em café e operam com margens acima de 25%. Os que não monitoram, sobrevivem. A diferença entre os dois grupos cresce a cada safra.
O que o Espírito Santo tem de diferente não é só o solo fértil da região Norte, embora isso ajude. É a combinação de infraestrutura, política pública e pressão competitiva que transforma insumos em resultado.
As exportações do agro capixaba somaram US$ 3,21 bilhões em 2025, 30,7% do total estadual, distribuídos para 133 países. Os portos de Vitória e Tubarão são vantagem logística real, não detalhe de rodapé. O Pedeag 4 (2023–2032) projeta R$ 12 bilhões em crédito rural até o fim do ciclo, e a Incaper e a Seag vêm incorporando IoT e bioinsumos nas propriedades rurais. Quem adotou gestão baseada em dados colheu resultado. Quem não adotou, esperou para ver.
Trinta anos de transformação mostram o quanto o campo capixaba mudou. Em 1995, o Espírito Santo era sinônimo de conilon. O que veio depois foi construído cultura por cultura. O café chegou a 881,6 mil toneladas em 2024, alta de 7,4% sobre 2023, com arábica e conilon coexistindo numa produtividade que poucos estados replicam.
A pimenta-do-reino assumiu a liderança nacional: 73,5 mil toneladas em 2024 e renda rural crescendo 116,6% em um ano. O mamão chegou a 398,1 mil toneladas, maior produção do Brasil. O milho cresceu 4,1%, atingindo 71,3 mil toneladas em 2024/25. Pesquisa genética, crédito com alta de 9,2% em 2025 e infraestrutura portuária explicam essa virada. Não foi acidente.
Os desafios não somem com otimismo. O clima adverso afeta 24% dos produtores, entre secas e enchentes; pragas e doenças impactam outros 11%; falta mão de obra qualificada, e isso não se resolve sozinho. No plano nacional, perdas projetadas de R$ 68 bilhões na soja em 2026 lembram que volatilidade de preços é risco permanente, não exceção. Gestão resiliente deixou de ser diferencial: é o requisito mínimo para continuar na mesa.
Capacitar equipes com formação em agronegócio, planejamento rural e análise de risco não é pauta de longo prazo. É a decisão mais urgente do ciclo atual.
O Espírito Santo já provou que o modelo funciona. A pergunta agora é quem vai escalar primeiro, e quem vai ficar assistindo
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo, bem como da organização à qual esteja vinculado profissionalmente.
Fonte: Folha Vitória











