
O conflito que envolve Irã, Estados Unidos e Israel, que respinga nos países do Golfo, trazem impactos diretos ao Brasil e para o Espírito Santo – estado altamente exposto ao comércio internacional. Esse cenário se traduz em bônus e ônus, com possíveis desafios relacionados aos preços da logística internacional, comércio com países afetados e volatilidade do preço do petróleo.
A interrupção das rotas comerciais diretas com os países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Omã e Qatar) impõe perdas diferenciadas a cada estado brasileiro de acordo com a dependência que cada um tem desses mercados.
Nesse quesito, o Espírito Santo está relativamente protegido. Pelo menos, é o que aponta o estudo produzido pela Apex Partners “Conflito no Irã: Impactos para o Brasil e Onças Brasileiras”.
Segundo o paper da Apex Partners, o comércio internacional capixaba com os países do Golfo representa apenas 1,2% da corrente de comércio exterior, cifra próxima da média nacional, de 0,9%. A pauta exportadora do estado para a região é baixa, e a dependência de insumos importados dali também é limitada.

O quadro é diferente para outros estados do grupo das Onças Brasileiras (ES, MG, PR, SC, RS, GO, MT, MS). Paraná e Rio Grande do Sul, por exemplo, têm 4,8% de sua corrente de comércio atrelada ao Golfo, concentrada em exportações de carnes de frango e bovino, milho, soja e açúcar. O Acre, com 6,5%, lidera a exposição relativa entre os estados brasileiros.
No agregado, as Onças Brasileiras têm 3,4% do comércio voltado à região, quase o triplo da proporção capixaba. Essa exposição faz com que os estados de maior vocação agroindustrial sofram interrupções mais impactantes em seus fluxos comerciais no curto prazo, segundo a análise da Apex Partners.
O Paraná e o Rio Grande do Sul são os mais vulneráveis ao corte de comércio com o Golfo entre as Onças, com uma exposição quase quatro vezes maior que a do Espírito Santo
Esse choque geopolítico também atinge o lado das importações: a região do Golfo é fonte relevante de adubos e fertilizantes para o agronegócio brasileiro. O Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que consome, e o Oriente Médio responde por cerca de um terço da ureia importada pelo país, segundo o Itaú BBA.
Para as Onças com maior base agrícola – GO, MT, MS, PR e RS –, essa dependência de insumos pode gerar custos adicionais e pressão sobre as margens na safra 2026/2027. O ES, com estrutura produtiva menos dependente de fertilizantes importados da região, fica relativamente à margem desse vetor.
Há, porém, uma oportunidade para o agronegócio exportador. Com a perturbação temporária do fornecimento de grãos e proteínas de países que dependem do Golfo como entreposto logístico, compradores asiáticos e europeus devem intensificar a busca por fornecedores alternativos. O Brasil, com sua robusta capacidade exportadora de soja, milho, carne e açúcar, está bem posicionado para capturar parte desse desvio de demanda.
Fonte: Folha Vitória












