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Home Agricultura

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo

Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) apontaram que quanto mais verde o grão, maiores são as perdas para os produtores.

agosto 18, 2025
em Agricultura, Destaques
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Pesquisadores do curso de Agronomia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em São Mateus, no Norte do estado, estudaram o tempo certo de maturação do grão do café conilon e chegaram a uma conclusão que interfere na produtividade e até nos ganhos ou perdas dos produtores.

O levantamento mostrou que quando o produto é colhido antes do tempo, com os grãos ainda verdes, a perda é muito maior. Além disso, concluíram que o melhor aproveitamento do produto é feito com os frutos na cor vermelha.

O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon no país, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional. Essa cultura é a principal fonte de renda em 80% das propriedades rurais capixabas localizadas em terras quentes.

Com isso, a pesquisa da Ufes busca ajudar o produtor a ter uma maior produtividade e qualidade do café colhendo os grãos no tempo certo da colheita para evitar prejuízos. Segundo o estud , as perdas podem passar de R$ 15 mil (apesar de o valor varia de acordo com o tamanho da produção de cada propriedade).

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Metodologia

Durante dois anos, laboratórios da universidade analisaram em seis genótipos o processo de maturação dos grãos em várias etapas para calcular a perda nas lavouras conforme o período em que a colheita acontece.

O café foi colhido de 14 em 14 dias para mostrar ao produtor o momento certo para retirada dos grãos.

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

No estudo, o grão totalmente verde traz uma perda de até 40%. A medida em que o café vai maturando, esse percentual vai caindo e a perda chega a zerar. O nível ideal para a colheita é quando atinge esse nível.

O professor da Ufes, Fábio Partelli, explicou que a cor do grão está relacionado com a saúde do pé de café, e o vermelho aponta um grão saudável e cheio de nutrientes.

“Quando você consegue colher tudo assim, vermelho cereja, maduro, você tem 100% de aproveitamento. A partir do momento em que você antecipa essa colheita, você vai ter perda na produção. A gente sabe que não consegue colher sempre com o grão todo maduro, porque pode demorar dois ou três meses, por infraestrutura ou falta mão de obra. E isso afeta os ganhos ou as perdas. Mas a análise que a gente faz é que a maioria dos cafeicultores poderia esperar um pouco mais do que normalmente”, destacou.

Na prática

Os pesquisadores apontaram que em uma mesma plantação é possível encontrar o pé de café nos dois tipos de coloração: tanto vermelho, pronto para a colheita, quanto verde, o que significa que o produtor precisa esperar um pouco para não ter perdas.

“Analisando uma planta inteira, dá para perceber que ela têm muito verde na ponta ainda. Se eu colho ela desse jeito, ela vai dar uns 30% ou 40% de verde, e isso mostra que eu vou ter perda de até 15% do café. Se a gente for pensar em uma perda de 10%, estamos falando de uma lavoura de 100 sacas por hectare, sendo dez sacas a menos na produção. Dez sacas a menos é, na verdade, mais de R$ 15 mil”, explicou o professor.

Estudantes de agronomia de Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) comprovaram em laboratório que quando café não é colhido no ponto certo, produtores podem ter prejuízos de mais de R$ 15 mil — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Estudantes de agronomia de Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) comprovaram em laboratório que quando café não é colhido no ponto certo, produtores podem ter prejuízos de mais de R$ 15 mil — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Segundo o professor, a análise foi feita porque vários produtores de café no estado não esperam o melhor momento para colher por motivos variados. A ideia, então, foi apresentar aos produtores dados científicos.

“Todas as amostras que estão presentes no nosso laboratório foram trazidas diretamente da nossa área experimental. E todos os grãos que estão aqui passaram pelo mesmo processo”, explicou o aluno de agronomia, Júlio César Pereira Machado.

José Sartorio Altoé é produtor de café conilon em Jaguaré, no Norte do estado. O agricultor comentou que, seguindo as orientações do estudo, agora espera a maior parte dos pés que têm na propriedade ficarem no ponto de maturação, o significa melhor momento para a colheita.

“Eu acredito que devo esperar para colher até meados de maio. Do dia 20 em diante, espero conseguir já começar a colher, porque o café já vai estar maduro. Até lá, o café aguenta, está verde. Depois do dia 20 já tenho que começar a colher porque se não já pode passar do ponto. Aí dá a broca. Fazendo da nova forma, esperando mais, dá um café melhor, de mais qualidade e ganho de peso também”, contou.

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Verde ou vermelho? Produtores têm perdas maiores quando café é colhido antes do tempo, comprova estudo da Ufes, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Altoé relatou que na colheita passada teve prejuízo por colher antes do tempo. Mas, na época, ele precisou fazer isso por causa da falta de mão de obra. Para o futuro, o produtor pensa em adquirir máquinas para ajudar no serviço.

“Eu gosto muito de participar de palestras porque é bom a gente ouvir e adquirir conhecimento, errar menos. A programação que a gente está fazendo aqui agora é plantar o café no final do ano na bitola, para essa máquina colher”, revelou.

Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) mostrou que quanto mais verde o grão, maior a perda na produção de café — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Fonte: G1 ES

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