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Novo êxodo urbano: Trabalhadores voltam para o interior do ES em busca de salários mais altos e qualidade de vida

Levantamento da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do governo federal mostra que 8 dos 10 municípios capixabas com média salarial mais alta são do interior do estado.

junho 9, 2023
em Destaques, Economia
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Aracruz é a terceira cidade do Espírito Santo que melhor paga os funcionários — Foto: Reprodução TV Gazeta

Aracruz é a terceira cidade do Espírito Santo que melhor paga os funcionários — Foto: Reprodução TV Gazeta

Trabalhadores no Espírito Santo têm deixado, cada vez mais, a Região Metropolitana de Vitória em busca de novas oportunidades no interior. O movimento do novo êxodo urbano é motivado pela remuneração mais alta e também pela qualidade de vida. Segundo levantamento da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do governo federal, oito entre as dez cidades com média salarial mais alta do estado estão no interior.

Na lista da Rais, apenas Vitória e Serra, da Região Metropolitana, estão entre as dez cidades com maiores salários médios.

As 10 cidades capixabas com os maiores salários médios:

  • Vitória – R$ 4.404
  • Iconha – R$ 3.107
  • Aracruz – R$ 3.054
  • Anchieta – R$ 2.903
  • São Domingos do Norte – R$ 2.867
  • Jerônimo Monteiro – R$ 2.837
  • Itapemirim – R$ 2.666
  • Serra – R$ 2.650
  • Nova Venécia – R$ 2.573
  • Alegre – R$ 2.551

O empresário Marcos Gueller é um exemplo de trabalhador que deixou a Grande Vitória e foi montar a empresa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.

“Aracruz tem uma vocação para a prestação de serviços, a nível nacional, e a gente conhece o pessoal, esse potencial, e montamos a empresa pensando nisso. Temos perspectiva de crescer mais ainda”, contou.

Já a gerente de Recursos Humanos Bárbara Fonseca mudou para a mesma cidade após o filho nascer e ela receber uma proposta de emprego em uma empresa que presta serviços de manutenção. “Renda, qualidade de vida… E também tenho família aqui, que ajuda nas coisas”, destacou.

Da esquerda para a direita: Lucas Nascimento, Catharine Cuzzuol e Thiago Vieira — Foto: Reprodução acervo pessoal

Da esquerda para a direita: Lucas Nascimento, Catharine Cuzzuol e Thiago Vieira — Foto: Reprodução acervo pessoal

Além da remuneração salarial, outro fator que tornado o interior atrativo é a qualidade de vida. É o caso do administrador e gerente comercial Lucas Nascimento Gualberto, de 25 anos, “Em março de 2023, recebi a proposta para morar em Linhares para ser gerente comercial de uma das lojas de uma rede nacional”, relembrou.

“Aceitei a proposta por observar melhor qualidade de vida, sossego e trabalho aqui em Linhares. Desde então não me arrependo de ter passado a morar aqui. O local é bem calmo, o mercado de trabalho para os que precisam dele parece ser amplo”.

No caso da engenheira ambiental Catharine Frigini Cuzzuol, de 35 anos, a motivação foi uma oportunidade de trabalho diferente das encontradas na Capital.

“Sou apaixonada por Vitória e acho que a cidade proporciona a qualidade de vida que busco para minha vida, mas eu precisava ter novas experiências e abraçar a oportunidade de ressignificação e crescimento profissional para, quem sabe, retornar futuramente”, refletiu.

No caso do administrador Thiago Vieira, de 39 anos, uma oportunidade no ramo do turismo fez ele trocar a vida agitada em São Paulo por Colatina, no Noroeste do Espírito Santo.

“Eu estava morando em São Paulo, fui para Vitória, e houve uma oportunidade de ir para Colatina, no turismo, devido a uma carência das agências em fazer um trabalho mais especializado. Voltei para a sala de aula, 17 após minha formação em Administração e MBA em Marketing e Vendas, troquei meu segmento de gestão e consultoria de moda para a área do turismo. Desde 2019, tenho minha agência e sou guia credenciado pelo Ministério do Turismo, podendo atuar em toda a América Latina”, contou.

“Hoje, eu sou o homem mais feliz e realizado do mundo, de ter saído de uma grande metrópole (São Paulo), depois de passar por Vitória e vir me realizar em Colatina”, avaliou.

Mais empresas passaram a investir no interior, atraindo mão de obra

Pablo Lira, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) — Foto: Arthur Louzada

Pablo Lira, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) — Foto: Arthur Louzada

Na avaliação do diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, houve uma descentralização da localização das empresas no Espírito Santo, migrando da Grande Vitória para outras localidades.

“A partir de 2010, o estado passou a conviver com um certo ‘descongestionamento’ dos investimentos. Essa concentração aqui na Grande Vitória passou a diminuir. No sentido de um desenvolvimento regionalmente mais equilibrado. Com esse movimento de desconcentração de atividade econômica, de investimentos na Região Metropolitana, outras regiões do estado passaram a ter um protagonismo econômico”, explicou.

“Hoje, o movimento econômico regional do nosso estado não fica tão concentrado como era antes na Grande Vitória”, avaliou.

Sobre oito dos dez municípios com maiores médias salariais serem do interior, Pablo Lira avalia que as cidades contam com empreendimentos importantes ligados a exploração de rochas ornamentais e petróleo, por exemplo.

“Na Região Metropolitana, a gente tem um acirramento das desigualdades sociais e econômicas, como a pobreza, a questão da violência. Então, esses fatores podem influenciar sobre a ótica socioeconômica o indivíduo decidir sair da Grande Vitória e ir para um município como Alegre, Anchieta… Até mesmo pelas relações familiares que ele tem nessa cidade”, contou.

Salário médio por cidade

Segundo o economista Ricardo Paixão, o cálculo do salário médio envolve o rendimento e a quantidade de pessoas que trabalham no município.

“Você pega o montante dos rendimentos dos trabalhadores. Você pode separar por setores ou não, e divide pelo número de trabalhadores que está na ativa. Com isso, você tem uma média que possibilita uma série de comparações, estudos e até a destinação de algumas políticas públicas”, explicou.

Um dos fatores que contribuem para Aracruz ter uma média salarial alta tem a ver com as empresas instaladas na cidade. A cidade tem renda salarial média de R$ 3.054, a terceira maior do estado.

De acordo com a prefeitura, os estabelecimentos desejam mão de obra qualificada profissional. Isso significa que, quanto maior a qualificação profissional, maior é o salário pago aos funcionários. E, por consequência, atrai mais profissionais para a cidade.

“O município faz uma parceria com Sesi (Serviço Social da Indústria) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para a qualificação dessa mão de obra que está sendo demandada pelas empresas locais”, destacou Jeesala Coutinho, secretária de Ações Estratégicas de Aracruz.

Fonte: G1 ES

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