— Trump mencionou todas as possibilidades. Nós não podemos pensar em todas as possibilidades, porque enfrentamos algumas limitações — afirmou. — Mas tudo o que for realisticamente possível, na frente diplomática, por meio de assistência ou ajuda, de modo a ajudar os EUA a superar esta questão, nós faremos. O país mais interessado em pôr um fim na ditadura narcotraficante de Maduro é o Brasil.
Bolsonaro também respondeu acusações de supostos laços com um dos suspeitos de executar a vereadora Marielle Franco, comentando fotografia em que aparece ao lado de um dos acusados:
— Sou um capitão do Exército brasileiro, e parte dos oficiais da polícia do Rio de Janeiro é de grandes amigos meus. Por coincidência, um desses suspeitos de ter matado a Marielle não era na verdade vizinho meu, mas morava do outro lado de uma outra rua [do condomínio] — disse. — Mas, a mídia sempre me criticou e estabeleceu uma conexão.
Na apresentação do programa, Bolsonaro foi referido como alguém que já fez “comentários incompatíveis com os valores americanos”, sobretudo os dirigidos à comunidade LGBT. A este respeito, ele disse se tratarem de comentários “tirados de contexto”:
— Se eu fosse tudo isso, eu não seria eleito presidente. Há um grande número de notícias falsas, mas a população aprendeu a usar redes sociais e pessoas não mais acreditam nem confiam na imprensa tradicional — afirmou. — Não tenho nada contra homossexuais nem contra mulheres e não sou xenófobo, mas quero ter minha casa em ordem. A definição de família para mim é uma só, aquela da Bíblia. Se você quer se envolver numa relação homossexual, vá adiante, mas não podemos deixar o governo levar isso para a sala de aula e ensinar isso para crianças de cinco anos.
‘Fazer o Brasil grande’
Bolsonaro voltou a afirmar que “quer fazer o Brasil grande”. Interrogado sobre o jantar com o ex-chefe de campanha de Trump Steve Bannon, hoje inimigo do presidente, ele afirmou que seu filho Eduardo tem mais proximidade com o estrategista e que “não está lá para causar desconforto”.
Comentando a cena de escatologia filmada em um bloco de carnaval que divulgou em seu Twitter, o presidente disse que queria “mostrar o que o carnaval está virando”.
Nesta terça-feira, Bolsonaro será recebido no Salão Roosevelt e depois segue para o Salão Oval para uma reunião privada com Trump, com a presença apenas de tradutores. Depois, os dois irão ao Rose Garden, o jardim da Casa Branca, para uma declaração à imprensa.
No mesmo dia, Bolsonaro visitará o cemitério militar de Arlington, onde são enterrados os mortos em guerras. O primeiro encontro do presidente no dia será com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro.
Tanto Almagro quanto a Casa Branca se empenham para que a mudança de regime no país sul-americano ocorra logo, e temem que Nicolás Maduro acabe se perpetuando no poder.