
Nesta quinta-feira, 26 de março, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Cacau, o Espírito Santo tem motivos concretos para colocar o fruto em evidência: o Estado ocupa hoje a terceira posição entre os maiores produtores nacionais e vem consolidando uma trajetória de crescimento marcada por tecnologia, produtividade e valorização do pequeno produtor. Mais do que um dado agrícola, o cacau representa uma cadeia que conecta economia, história, cultura e gastronomia.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, o Espírito Santo produziu 12.166 toneladas de cacau em amêndoa em 2024, respondendo por cerca de 4,1% da produção nacional. O grande destaque é Linhares, município que sozinho responde por 8.321 toneladas, equivalente a 68,4% de toda a produção estadual.
Além de Linhares, municípios como Colatina, Rio Bananal, São Mateus e Águia Branca também aparecem entre os principais polos produtores, reforçando a presença do cacau em diferentes regiões capixabas.
O avanço impressiona também pela produtividade: em dez anos, o rendimento médio saltou de aproximadamente 195 quilos por hectare para 771 quilos por hectare, um crescimento de quase 295%, impulsionado por melhoramento genético, assistência técnica e modernização do manejo agrícola.
Da Amazônia ao chocolate: a longa viagem de um fruto milenar
Muito antes de chegar às vitrines sofisticadas em forma de bombons, barras ou sobremesas refinadas, o cacau já era reverenciado por civilizações antigas. Originário da bacia amazônica, o fruto foi domesticado por povos indígenas e ganhou status quase sagrado entre maias e astecas, que o chamavam de “alimento dos deuses”.
Ao longo dos séculos, o cacau atravessou continentes, tornou-se moeda, bebida cerimonial e depois uma das matérias-primas mais valiosas da gastronomia mundial.
Hoje, o que chega às cozinhas vai muito além do chocolate tradicional: nibs, manteiga de cacau, polpas, geleias, molhos e até preparações salgadas fazem parte do universo gastronômico do fruto, cada vez mais explorado pela alta cozinha contemporânea.
Quando agricultura encontra gastronomia
Na gastronomia, o cacau deixou de ser apenas ingrediente doce para ganhar protagonismo em receitas autorais, harmonizações e menus que valorizam terroir e origem.
Chefes têm usado amêndoas fermentadas, cacau cru e chocolate de origem em molhos para carnes, risotos, sobremesas de baixa doçura e até drinques. Esse movimento acompanha uma valorização crescente do cacau brasileiro premium, especialmente o produzido em sistemas sustentáveis.
Em Linhares, por exemplo, parte da produção já é classificada entre cacau premium e especial, abrindo espaço para mercados de maior valor agregado.
Mulheres fortalecem a nova geração do cacau capixaba
Outro eixo importante desse crescimento está no protagonismo feminino. O projeto Mulheres do Cacau, desenvolvido no Estado, vem ampliando a presença de produtoras rurais na cadeia produtiva, com capacitação técnica, incentivo à organização produtiva e acesso a tecnologias.
Em 2025, 45 mulheres de municípios como Linhares, Rio Bananal, Colatina, São Roque do Canaã e Santa Teresa participaram da iniciativa, reforçando que o futuro do cacau também passa pela inclusão e pelo fortalecimento da agricultura familiar.
Um fruto que carrega futuro
Atualmente presente em 49 municípios capixabas e cultivado em mais de 2.800 estabelecimentos produtores, dos quais 69% pertencem à agricultura familiar, o cacau reafirma sua importância estratégica para a economia do Espírito Santo.
Com Valor Bruto de Produção superior a R$ 543 milhões e projeção de crescimento para 2025, o fruto que um dia foi símbolo de antigas civilizações segue, no Espírito Santo, escrevendo uma nova história: agora com tecnologia, identidade regional e sabor de futuro.
Fonte: Folha Vitória












